segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Nossos clubes e a SAF


        Desde o ano passado já é permitido aos clubes brasileiros se transformarem em clube empresa, a famosa "SAF" (Sociedade Anônima do Futebol). Mediante a essa permissão, os presidentes de Remo, Fábio Bentes, e Paysandu, Maurício Ettinger, deram o ponta pé inicial nessa ideia de transformação. Ambos mandatários informaram que empresas foram contratadas para avaliar o valor de mercado dos seus respectivos clubes. Tomaram essa atitude pois o discurso dos dois presidentes são bem parecidos a respeito disso. Tanto o Bentes quanto o Ettinger afirmam que o futuro dos clubes brasileiros será virarem clubes empresas. 

        Mas o que isso mudaria na prática?

        Esse é um assunto complexo e que está iniciando no país. Como exemplos temos o Cruzeiro que foi adquirido pelo ex-jogador Ronaldo por 400 milhões de reais (90% do clube) e o Botafogo que foi comprado pelo bilionário americano John Textor. Não podemos avaliar ainda como estão nesse novo ciclo pois as aquisições não possuem nem um mês, mas já dá para perceber um pensamento mais empresarial na gestão. Gestão empresarial, essa é a primeira ação que um clube que virou SAF sofre. O planejamento inicial é reduzir custos, pagar dividas e viabilizar o clube. Então se o Remo e Paysandu fossem vendidos essa ação, teoricamente, já sofreriam. 

        No caso dos nossos clubes pode ser uma saída interessante. Mas é preciso o torcedor ter cuidado e paciência. O pensamento natural de alguns torcedores é que vai chegar um milionário, por dinheiro a todo direito no clube, sair contratando jogadores "galáticos" e pronto. Mas não é bem assim. Apenas observar como estão agindo no mercado o Cruzeiro e o Botafogo. Já imaginaram se todos os clubes brasileiros virassem SAF? Teria título para todo mundo? Não. Então calma.

        O empresário quando compra um clube, ele compra pois é um investimento que ele acredita que pode dar retorno. Então primeiro ele toma aquelas ações para viabilizar o clube e depois parte com  planejamento para ter seu retorno financeiro também. Afinal ele não é torcedor e sim o dono. Porém, a torcida está interessada em ter um grande time e uma equipe vitoriosa. Daí pode surgir um conflito de interesse. Claro que os donos querem ganhar títulos, afinal conquistas valorizam a marca. Entretanto, para muitos donos de clubes essas conquistas surgem como uma possível consequência e não que sejam a razão principal do seu planejamento. 

        É preciso que os donos dos clubes entendam que ser dono de uma instituição de futebol e de uma empresa comum é bem diferente. Ninguém ama ou torce por uma empresa, já os clubes é a razão de alegria e de amor de milhões de pessoas. Essas pessoas não estão apenas interessadas em ter um time saudável financeiramente e bem gerido, elas querem vitórias, títulos. 

        Teremos que esperar para ver se desse mato sai algum cachorro. O que temos de certo atualmente é que esse modelo tradicional de gestão não está levando Remo e Paysandu a lugar algum. Não precisa virar SAF para fazer um bom planejamento no futebol, vejam o Fortaleza, mas algo precisa ser feito pois estamos muito atrás de outros clubes nacionais. 


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Ricardinho pode ser o maestro Bicolor?

                                                Foto: Divulgação/Paysandu
         


        O meio-campista Ricardinho fez uma grande estreia com a camisa do Paysandu no jogo contra o Bragantino. De cara já deu seu cartão de visitas que pode ser fundamental na campanha do clube na Série C e a resposta da pergunta do título do artigo é sim, Ricardinho tem todas as condições de comandar esse meio-campo Bicolor.

        Claro que devemos ter todo cuidado para afirmar, por isso não afirmei e sim interroguei, pois estamos falando apenas de uma partida em que atuou. Porém, se analisarmos o tanto que jogou nas ultimas temporadas, principalmente no Ceará, percebemos que foi uma boa contratação. No Ceará ele virou um idolo recente e deixou o clube para vestir uma camisa pesada do nosso futebol que é a do Botafogo. No Rio não foi muito aproveitado, mas agora será em Belém.

        Observando essa estreia me veio na cabeça qual função e posição de campo seria melhor para o atleta. Ricardinho começou o jogo como um segundo volante, mas aos 36 anos e com uma dificuldade na marcação talvez não seja a melhor posição. Também não o vejo como aquele 10 tradicional. Então penso que se ele for testado como um terceiro homem de meio-campo, sem tanta obrigação defensiva para fazer uma marcação mais fechada ele poderia render ainda mais. Principalmente quando o Paysandu não tiver a bola. Com a bola ele poderia recuar mais um pouco e iniciar a jogada com mais qualidade. Embora se tivesse um outro volante com essa qualidade seria o ideal.

        Ou seja, como terceiro homem de meio-campo ele teria até mais liberdade para trabalhar com a bola e essa é a sua principal qualidade. O Ricardinho trabalha bem a bola, sabe o que faz com a pelota, dá ritmo ao jogo e tem um ótimo passe. É saber aproveitar essas qualidades ao mesmo tempo tentando desgastar menos o jogador que já está mais no final de sua carreira que do início dela. 



quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Novorizontino, um adversário complicado

                                       Foto: Guilherme Videira/Divulgação
 


        A Tuna Luso Brasileira voltará ao cenário nacional, após 14 anos, no jogo contra o Novorizontino pela Copa do Brasil. A equipe paulista vem demostrando um projeto muito interessante nos últimos anos e fez um 2021 muito bom. Na temporada passada o clube foi o campeão do interior paulista e conseguiu o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro.

O Novorizontino tem investido em qualificar ainda mais seu elenco para a temporada 2022. Nessa época contrataram o atacante Bruno Silva, 21, da Chapecoense e o meia Marcinho, 26, que estava no Cruzeiro mas se destacou na Série B 2020 quando atuou no Sampaio Correa. O experiente goleiro Giovanni, ex-Paysandu, é outro destaque da equipe.

A formação tática possível do time contra a Tuna deverá ser o 4x2x3x1, O técnico Leo Condé gosta de explorar bem os lados do campo dando amplitude para sua equipe. Apesar de jogar pelo empate, os paulistas não deverão abdicar de atacar. A Águia do Souza precisa jogar com inteligência e ser muito efetiva quando tiver oportunidade para balançar as redes. 

Paysandu deve parar o Trem!!!

                                       Foto: Franselmo George/Arquivo pessoal


        O Paysandu vai encarar os amapaenses do Trem na primeira fase da Copa do Brasil. O jogo será disputado no Zerão, em Macapá. O Papão leva o favoritismo para o confronto e creio que deva conseguir a sua classificação. A equipe do Trem conquistou seu quarto título estadual (Era profissional) em 2021, ao derrotar o Santos na final. Essa conquista veio após um jejum de 10 anos e colocou a equipe novamente na vitrine nacional. O clube disputará em 2022 o Amapaense, Copa Verde, Série D e claro a Copa do Brasil.

        A equipe é comandada pelo técnico Sandro Macapá e conseguiu permanecer com alguns jogadores da campanha vitoriosa do estadual de 2021.  A diretoria do Trem ainda pretende contratar mais atletas, porém sofre com grandes limitações financeiras. Outro fator que desfavorece o clube é que o duelo contra o Papão será o primeiro jogo oficial da equipe na temporada. Sendo que até a data do jogo, que ainda está por definir, o Papão já terá feito várias partidas pelo Parazão. Ou seja, a equipe Bicolor chegará muito mais entrosada para o confronto.

        O trem é um adversário bem acessível e vários fatores, alguns já mencionados, favorecem o Bicolor. Agora o Paysandu precisa entrar em campo para confirmar a classificação. 


Planejamento no futebol paraense

 Olá amigos. Primeiramente sejam bem-vindos ao blog dos Bastidorespa. Nosso primeiro artigo será para falarmos sobre o planejamento do futebol que fazem nossos clubes.

Ano após ano esse assunto aparece, planejamento do futebol, e quase sempre constatamos no final da temporada que Remo e Paysandu falharam. Na verdade em muitas temporadas já percebe-se que vão falhar bem antes de terminar o ano. Essas falhas custam caro. Em 2021, a dupla RexPa falhou. O preço foi o rebaixamento do Leão à Série C e a permanência do Papão também na terceira divisão nacional. Um rebaixamento ou uma permanência em uma divisão inferior traz um prejuízo financeiro enorme ao clube.

O que temos é a certeza de que não existiu um planejamento e dentro dessa questão temos que abordar as contratações. O Remo e o Paysandu abusaram em contratar jogadores sem critério. Foram vários atletas que não vinham de bons momentos e nem digo apenas pela temporada anterior, mas de várias outras temporadas. As diretorias acabam contratando no escuro e rezam para que deem certo. Mas o futebol não permite você agir de maneira tão aleatória.

Compreendo a questão financeira. Claro que sei das dificuldades e ninguém está aqui pedindo jogadores de nível de seleção. Mas é obvio que dá para fazer melhor. É claro que temos condições de um dia chegar no mesmo patamar de vários clubes do nordeste que estão se destacando atualmente. Fazer futebol em Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e até mesmo no Maranhão (que tem representante na Série B) também não é fácil. Esses estados também possuem estaduais deficitários. Mas com organização e planejamento grandes clubes desses estados estão progredindo, em sua maioria.

Contratar aleatoriamente também prejudica em outras duas questões. Além da questão técnica que já foi abordada, podemos citar também que ao contratar sem critério o clube acaba diminuindo a chance de dar oportunidade para alguém da base e também prejudica o clube na questão financeira. Afinal ao contratar você gera custos ao clube como salários, possíveis bônus, hospedagem, passagens e etc. Portanto acaba sendo um prejuízo técnico e financeiro.

Claro um ou outro atleta pode acabar rendendo. Mas percebam o grande número de jogadores contratados, sem muito critério, pelos nossos clubes e quantos realmente deram certo. É complicado!

Abordo esse tema tranquilamente. Sempre na torcida pela evolução do nosso futebol. Mas nossos dirigentes precisam ajudar. Antes de encerrar esse artigo, venho também parabenizar vários dos nossos clubes do interior. Que mesmo com muito mais dificuldade em relação aos clubes da capital, mostram cada vez mais profissionalismo e vão entendendo a importância do planejamento. Inclusive muitos até investindo em “executivo do futebol”, algo que até pouco tempo era até inimaginável.