Desde o ano passado já é permitido aos clubes brasileiros se transformarem em clube empresa, a famosa "SAF" (Sociedade Anônima do Futebol). Mediante a essa permissão, os presidentes de Remo, Fábio Bentes, e Paysandu, Maurício Ettinger, deram o ponta pé inicial nessa ideia de transformação. Ambos mandatários informaram que empresas foram contratadas para avaliar o valor de mercado dos seus respectivos clubes. Tomaram essa atitude pois o discurso dos dois presidentes são bem parecidos a respeito disso. Tanto o Bentes quanto o Ettinger afirmam que o futuro dos clubes brasileiros será virarem clubes empresas.
Mas o que isso mudaria na prática?
Esse é um assunto complexo e que está iniciando no país. Como exemplos temos o Cruzeiro que foi adquirido pelo ex-jogador Ronaldo por 400 milhões de reais (90% do clube) e o Botafogo que foi comprado pelo bilionário americano John Textor. Não podemos avaliar ainda como estão nesse novo ciclo pois as aquisições não possuem nem um mês, mas já dá para perceber um pensamento mais empresarial na gestão. Gestão empresarial, essa é a primeira ação que um clube que virou SAF sofre. O planejamento inicial é reduzir custos, pagar dividas e viabilizar o clube. Então se o Remo e Paysandu fossem vendidos essa ação, teoricamente, já sofreriam.
No caso dos nossos clubes pode ser uma saída interessante. Mas é preciso o torcedor ter cuidado e paciência. O pensamento natural de alguns torcedores é que vai chegar um milionário, por dinheiro a todo direito no clube, sair contratando jogadores "galáticos" e pronto. Mas não é bem assim. Apenas observar como estão agindo no mercado o Cruzeiro e o Botafogo. Já imaginaram se todos os clubes brasileiros virassem SAF? Teria título para todo mundo? Não. Então calma.
O empresário quando compra um clube, ele compra pois é um investimento que ele acredita que pode dar retorno. Então primeiro ele toma aquelas ações para viabilizar o clube e depois parte com planejamento para ter seu retorno financeiro também. Afinal ele não é torcedor e sim o dono. Porém, a torcida está interessada em ter um grande time e uma equipe vitoriosa. Daí pode surgir um conflito de interesse. Claro que os donos querem ganhar títulos, afinal conquistas valorizam a marca. Entretanto, para muitos donos de clubes essas conquistas surgem como uma possível consequência e não que sejam a razão principal do seu planejamento.
É preciso que os donos dos clubes entendam que ser dono de uma instituição de futebol e de uma empresa comum é bem diferente. Ninguém ama ou torce por uma empresa, já os clubes é a razão de alegria e de amor de milhões de pessoas. Essas pessoas não estão apenas interessadas em ter um time saudável financeiramente e bem gerido, elas querem vitórias, títulos.
Teremos que esperar para ver se desse mato sai algum cachorro. O que temos de certo atualmente é que esse modelo tradicional de gestão não está levando Remo e Paysandu a lugar algum. Não precisa virar SAF para fazer um bom planejamento no futebol, vejam o Fortaleza, mas algo precisa ser feito pois estamos muito atrás de outros clubes nacionais.